26
2012
O amor é brega
O amor é brega.
Mas um brega bom.
Como aquela camisa florida que você comprou mas nunca teve coragem de usar, pois tinha vergonha do que iriam falar.
Mas um dia você acorda pensando diferente. E, finalmente, entende: você é brega.
E assim é o amor.O amor é o carinho, o xeru, a mão lasciva em busca das coxas de sua amada.
O amor é chamar de bebê, momô, aruá, ou qualquer outra palavra que uma criança consiga falar.
Pois é, o amor é isso.Uma criança.
Ou melhor, uma criança brega.
Mas não é um brega qualquer, como MC Sheldon e suas novinhas. Aquilo não é brega, é no máximo uma cria do demônio.
Ali, apesar de não ser em São Paulo, não possui amor.
Pois é, amigo Crioulo, não existe amor em outros cantos também.
Mas o amor, assim como um bom brega, está esquecido, perdido, pulando de coração em coração, deixando pedaços no chão.
O amor é o brega de Rossi com suas raposas, suas uvas e seu borogodá.
O amor é a luz, o raio, a estrela e o luar de Wando.
O amor é brega. Para amar, tem que ser brega.
Porque no amor não se pode ter medo de parecer ridículo. Pois ridículo é quem não ama e não gosta de um bom brega.
9
2012
Roger That
Seu nome era Roger. Na verdade, ele se chamava Paulo, mas gostava do nome Roger, pois desde criança era fã dos filmes de guerra. Quando o mocinho falava com os aliados através do rádio, sempre terminava com um “Roger That” e, desde então, ele achava que Roger havia sido um grande herói de guerra e adotou o nome.
Roger sempre sonhara em ter um físico avantajado e ir pra guerra salvar as pessoas com uma metralhadora na mão e beijar a mocinha no final. Ao invés disso, havia se tranformado em um motoboy. Profissão que ele não sentia vergonha de ter. Muito pelo contrário, ele dizia que já tinha salvo muitas pessoas por entregar uma pizza e um sorriso. Nesse dia, não seria diferente.
Já era noite quando, de longe, só se conseguia ver a fumaça e a poeira. Os 20 andares que haviam levado 2 anos para serem construídos vieram abaixo em menos de meia hora.Os jornais noticiaram que apenas uma pessoa havia morrido e algumas haviam ficado feridas. No final, todos agradeciam por tudo ter acabado bem, com um mínimo de casualidades.
Mas o que parece pouco para uns, pode significar o mundo inteiro para outros.
Ao serem perguntadas sobre o acidente, todos comentavam sobre o herói que os havia ajudado a sair antes do prédio vir abaixo, mas que ele mesmo não havia conseguido mais tempo para sair vivo.Ninguém parecia saber o nome do tal herói. Alguns diziam que se chamava José e que era o antigo porteiro do prédio, outros diziam que era Pedro, marido de uma das trabalhadoras do prédio, e algumas senhorinhas até juravam de pés juntos que era um anjo enviado por Deus. Mas o que todos lembravam era do capacete de moto e do sorriso no rosto.
Onde Roger, um herói sem nome para muitos, virou apenas um número nos noticiários daquela noite.
7
2012
Textos para ela #1
Pra falar a verdade nunca sei ao certo o que dizer
As vezes penso em dizer que estou com saudade
Tento ensaiar as palavras na tua frente
Raramente elas conseguem sair do jeito que eu planejava
Ignoro um pouco disso tudo e penso numa coisa bonita pra te falar
Com o pensamento longe, lembro do teu sorriso e sorrio também
Imaginando nosso futuro juntos
Amanhã, e depois
Mas isso me parece pouco
Tomando um pouco de fôlego
Ensaio mais algumas palavras
Mas fico com medo de acabar parecendo exagerado
E não quero parecer fraco, ou muito meloso
Assim me prendo mais uma vez
Mas sempre acabo me arrependendo
Opto, por terminar o texto assim, com apenas uma vírgula
,
Para que nunca exista um ponto final,
1
2011
Bar 9
Entre um transeunte e outro, vejo o quanto tudo mudou, me tornei mais um entre a multidão, entre um empurrão e outro, as pessoas me afastam mas eu ainda insisto em continuar o meu caminho. Lembro da época em que era querido por todos, em que me procuravam para resolver seus problemas, para que desse um sentido às suas vidas. Bons tempos.
Sempre escuto as pessoas dizerem que as abandonei, quando na verdade sempre estive do lado de cada uma, mas me deram as costas mais uma vez, entre um empurrão e outro continuo meu caminho. Acabo esbarrando em uma senhora que, pela quantidade de cabelos brancos, pensei que me reconheceria. Ela derruba alguns legumes que carregava e, enquanto tento lhe ajudar, escuto suas palavras de ódio.
Talvez ela não lembrasse mais de mim, ou tenha feito questão de me ignorar. Eu também não era mais o mesmo, o tempo havia me maltratado, não conseguia mais ser aquele que inspirava as pessoas através das músicas, dos livros, e que conseguia fazer as pessoas rirem. Aquele era um tempo em que o mundo tinha cor, mas hoje o mundo estava cinza e cheirando a fuligem, assim como os pêlos da minha face e meus cabelos emaranhados.
Ao longe, um casal briga. Ele, aos gritos, ela, reagindo com lágrimas em seus olhos. Tento me aproximar e acalmar os dois, mas logo sou afastado e jogado ao chão. A próxima coisa que lembro é de acordar com um rapaz me olhando.
- O que aconteceu?
- O senhor estava desacordado na rua e eu o trouxe pra cá. Já se sente melhor?
- Sim, onde estou?
- No Bar 9.
- Me lembro desse lugar, já frequentei muito aqui. Você poderia me servir uma cerveja gelada?
- O senhor já não está muito velho para beber uma cerveja?
- Tem razão, me dê duas.
Uma cerveja após a outra, lembro dos tempos em que vivi ali, e vejo que é hora de continuar meu caminho, quem sabe um dia as pessoas iriam voltar a lembrar de mim.
- O senhor já vai?
- Já, preciso continuar.
- Me diga pelo menos o seu nome.
- Amor.
26
2011
A segunda opção
Porque você trabalha?
Quando você trabalha única e exclusivamente pelo dinheiro, seus sonhos começam a morrer e não existe dinheiro que possa compra-los de volta.
Não vim até aqui dizer que dinheiro não é importante, pois ele é. Mas ele alimenta apenas o seu corpo, enquanto a sua alma definha.
Não tenha medo de voltar a ter sonhos, não seja idiota ao ponto de dizer que isso é coisa de criança. Você já escutou as pessoas dizerem que as crianças são o futuro, você já fez parte desse futuro, mas desistiu de sonhar.
Seu objetivo de vida não deveria ser comprar o carro do ano, ou aproveitar aquela liquidação do shopping, e sim o de procurar ser sempre melhor, de ter grandes pretensões, pois são das grandes pretensões que surgem as grandes realizações.
Essa é a grande capacidade de mudança que todos precisam, de sonhar, querer, acreditar e fazer. Se arrisque, viva, esse deve ser o seu principal alimento.
Não diga a si mesmo ou deixem os outros lhe dizerem que não tem talento. Talento é sorte, o que realmente importa é a coragem. Faça aquilo que realmente acredita, só assim as pessoas irão acreditar em você.
Defenda sua paixão, não guarde-a. Mostre a todos que o mundo pode ser um lugar melhor. Ele só não é por falta de sonhos.
Sonhe, mas acorde, e desperte as pessoas ao seu redor, porque no mundo existem dois tipos de pessoas: aquelas que deixam suas mentes serem moldadas pela realidade e as que moldam a realidade através de suas mentes.
16
2011
Alice
Faz mais tempo do que eu gostaria de lembrar. A notícia não correu pelos jornais ou boca a boca, fui o único a perceber. Talvez tenha sido tarde demais. Não sei mais quanto tempo faz.
Eu tentava alertar os próximos, mas me tratavam como louco, fechavam seus olhos para o óbvio. Eles tentavam me fazer acreditar que existia uma cura, mas eu não ia tomar seus remédios, eles não iam me enganar mais uma vez. Agora que eu sabia como o mundo era de verdade, não ia voltar a ser um deles.
Com o passar do tempo as pessoas começaram a agir de forma estranha, surtos de doenças se tornaram mais frequentes e comportamentos violentos se espalharam por todo o mundo, talvez fosse a praga do novo século. Todos pareciam zumbis saídos de filmes de terror dos anos 80 que infectavam quem aparecesse em seus caminhos.
Como se fossem leprosos, me afastei de todos, mas não estava sozinho, nunca estive.
Alice era o seu nome, e ela sempre me acompanhou, me dando amor e suporte, e assim como eu, ela também percebeu que algo estava muito errado. Decidimos nos isolar de tudo e de todos, mas não adiantava o quanto fugíssemos, uma hora tudo aquilo ia nos alcançar, e com o passar dos anos isso parecia cada vez mais certo de acontecer.
Enquanto o tempo passava, Alice mudava. Já não era mais a mesma. Talvez tivéssemos fugido tarde demais, e com o tempo ela se tornou um deles.
- Nós precisamos voltar à realidade, não existe mais nada de errado com o mundo.
- Meu Deus, porque isso tinha que acontecer com você? Justo você…
- Mas não tem nada de errado comigo. Vamos, precisamos voltar.
- Te amo.
Com uma pancada na cabeça, a derrubo. Procuro algo para amarrar seus braços, mas ela se levanta e, ainda meio desorientada, a derrubo mais uma vez. Com uma pancada após a outra, percebo que seu rosto sumiu em meio ao rio vermelho que escorre pelo chão.
Alguém bate na porta, talvez tivessem escutado o barulho. Não posso correr o risco de também ser contaminado e decido lutar com todas minhas forças. Eles já haviam levado Alice, não iriam fazer o mesmo comigo.
Três homens de branco entram com algo brilhante em suas mãos. Avanço pra cima do primeiro e sou derrubado como se fosse uma criança.
- SAIAM DAQUI, VEJA O QUE VOCÊS ME OBRIGARAM A FAZER COM MINHA MULHER!
A próxima coisa que sinto é uma agulha gelada furando meu pescoço, sinto um líquido cortante e de repente tudo escurece.
- De que mulher ele estava falando?
- Não sei, vamos leva-lo de volta pro hospíco, hoje tem jogo da Seleção.
8
2011
Conto sem nome | Capítulo 1 – Piscina sem cloro
Tudo começou com um erro. Como sempre começava. Sempre o mesmo maldito erro.
Eu havia acabado de sair do colégio, apesar de ter repetido alguns anos, eu finalmente havia ganhado minha absolvição, finalmente havia sido inocentado desse crime de ser burro. E, como qualquer outra pessoa, eu estava cheio de sonhos, de viagens, queria conhecer pessoas novas, e principalmente gastar meus hormônios até não conseguir mais andar sem mancar. Mas minha família possuía planos diferentes para mim.
Desde pequeno, eu gostava de escrever. Talvez meus professores não gostassem tanto quanto eu, mas era uma coisa que eu sempre quis, ganhar minha vida através das palavras. Mas em todas as discussões que tinha com minha mãe entre gritos de “vagabundo” e “imprestável”, ela sempre terminava dizendo como havia começado a trabalhar muito cedo e adquirido independência desde então.
Talvez para não contrariar, meu pai havia me arrumado um emprego numa empresa de logística – o irônico é que justo eu, que nunca havia achado muita lógica em minha vida, agora deveria colocar em ordem e facilitar a vida do próximo.
O dono era um cara novo, que deve ter ganhado a empresa de presente do pai e que com certeza foi cantor de ópera em alguma outra vida. Eu nunca havia visto uma pessoa gritar tanto. Seu nome era Bruno – apesar de nunca chamarmos ele assim - todos tinham que chamá-lo de senhor, podendo perder um tímpano caso não o fizesse. E lá estava eu, alguns anos mais novos que o tal Bruno e tendo que chamá-lo de senhor, coisa que raramente fazia com o meu próprio pai.
Eu trabalhava numa pequena sala com mais três pessoas. Alberto e Carlos eram praticamente da minha idade, mas já haviam vivido muita coisa. Isso se metade das histórias deles fossem verdadeiras, pelo menos. Alberto acabara de se tornar pai e Carlos estava em vias de se casar, enquanto eu apenas planejava todo o meu salário para mais uma ida ao bar ou, quem sabe, uma camisa nova.
Ângela era uma morena que tinha a maior bunda que eu já havia visto. Não que isso fosse uma coisa boa. Ela deveria pesar pelo menos uns duzentos quilos, dos quais cem deveriam ser só da maquiagem. Ela era a pior pessoa que poderia existir para trabalhar, apesar de sua função ser a mesma que a nossa, ela sonhava com o dia que seria gerente do lugar, e desde então trabalhava como tal: fazendo porra nenhuma.
Lembro das visitas furtivas de Bruno ao nosso departamento e ela balançando aquele rabo enorme de um lado para o outro, como se realmente fosse difícil de notar.
- Oi, Bruno, tudo bem? – ela falava numa voz de atendente de tele-sexo.
Bruno não dava a mínima, mas só pelo fato de não gritar já era um grande avanço. Depois que fizeram uma nova lei protegendo as mulheres, ele deve ter ficado com medo de ser preso, processado, ou de simplesmente ser esmagado por aquela carreta em forma de bunda.
Com o passar dos anos, eu fui me acostumando com o cotidiano da empresa. Nosso trabalho era bem simples, pegávamos algumas encomendas, passávamos num leitor de código de barras, rastreávamos seu destino e as separávamos dependendo para onde fosse. Eu só vim entender o porquê de fazer isso semanas depois, não era um trabalho difícil de se fazer, mas nem por isso se tornava um trabalho agradável.
Com o tempo, eu fui não apenas me acostumando com o cotidiano da empresa, mas também com aquela rotina enfadonha. Eu conseguia dar destino às encomendas, mas não à minha vida. O sonho de viver como escritor estava mais distante do que o de ser milionário vendendo pipoca. Parecia que a minha piscina lotada de hormônios e sonhos tinha secado, ou que simplesmente haviam esquecido de colocar cloro e qualquer mergulho nela seria perigoso.
Dizem que existem momentos decisivos na vida das pessoas, e o meu foi quando inventaram de comprar uma nova impressora, que de nova nem a Dercy Gonçalves podia chamar. Era uma Xerox alguma coisa, que só não imprimiu a carta de abolição dos escravos porque a tinta havia acabado. Mas apesar de tudo, era um ônibus espacial comparado às velharias com as quais lidávamos no dia a dia do escritório. A sua função era a de imprimir um relatório ao final de cada dia e ao término do mês entregar o relatório a Bruno.
No meu departamento, quem havia ficado responsável por carregar essa cruz havia sido Ângela, e como sempre ela largara a cruz para o próximo, e o próximo da fila era eu.
- Serafim, você vai ficar responsável por fazer e imprimir os relatórios para me entregar no fim do mês.
- E por que eu deveria?
- Porque eu estou mandando.
Existem muitos relatos dizendo que quando você está próximo da morte, toda a vida passa na frente dos seus olhos. E foi então que percebi: se minha vida acabasse naquele instante, eu não veria nada, nem a um curta metragem eu teria direito. E foi assim que tudo começou, com um erro. Como sempre começava. Sempre o mesmo maldito erro.
- Quer saber? Foda-se. Eu me demito.
Tinha chegado a hora de mergulhar de cabeça nessa piscina.
27
2011
Um sorriso precioso
Pode até parecer exagero mas nunca gostei de aniversários, principalmente os meus. Talvez fosse pelas festas extravagantes que minha família sempre fez, talvez porque nunca quis comemorar estar cada vez mais perto da morte, ou quem sabe pela ressaca que sempre tinha no outro dia.
Mas esse ano, assim como todos os outros não iriam deixar essa data passar batida. Meu irmão havia organizado a festa em um Restaurante/Karaokê/Prostíbulo chinês, ele dizia que lá eu poderia comer e depois comer, o que não parecia ser uma má idéia.
- De que horas eu tenho que chegar?
- Porra o aniversário é teu, tu pode chegar a hora que tu quiser.
- Você me entendeu.
- As Stripers começam a trabalhar lá pelas 23Hrs.
- Esses chineses realmente sabem fazer dinheiro.
- Dinheiro e Saquê.
Eu e meu irmão éramos fãs de um filme da década de 70 chamado “Claudicar” em que dois amigos iam para festas mas nunca usavam seus nomes verdadeiros, nem muito menos contavam quem realmente eram. Sempre usavam os nomes Geraldo de Almeida e Josias Valadão, e desde então usávamos esse truque e até o mesmo nome. Nos sentíamos Batman e Robin, pena que não dava pra usar esses nomes, pelo menos não sem fantasia.
Hoje ele era Geraldo de Almeida famoso químico responsável pelo descobrimento do Tungstênio e eu era Josias Valadão famoso dançarino de Macarena. No começo fiquei meio receoso de encontrar alguma mulher que entendesse o mínimo de Química ou arriscasse uns passos de macarena, mas depois que entramos no bar minha maior preocupação era que a polícia federal não trouxesse o bolo e as velas pra festa.
- Que porra de lugar é esse que tu me trouxe Lucas?
- Meu nome é Geraldo de Almeida caralho, entra no papel.
- Como se alguém aqui fosse entender uma palavra do que a gente fala.
De repente sinto uma mão gorda apertando minha cintura por trás e me puxando pra junto, uma boca grande se abre e alguns dentes tímidos dizem oi pra mim, a mulher cheira a peixe e algum tipo de incenso ou quem sabe era spray de barata.
- Você deve ser o Sr. Valadão não é mesmo?
- Depende de quem pergunta.
- Meu nome é Mei Yu, sou a dona. O Dr. Geraldo deixou tudo preparado para você.
E quanto mais ela falava, mais sua mão apertava minha cintura e me puxava pra junto dela a tal ponto que jurei ter visto algo se mexendo no meio de seus cabelos.
- Deixou foi? Mas só por curiosidade, o que eu deveria esperar?
- Ele me disse que o senhor é um excelente dançarino de macarena. As meninas estão doidas para aprender, e eu também. O senhor sabe o que meu nome significa?
Pela aparência deveria significar “Antiga Bestialidade do poço sagrado do inferno”, mas acho que essa resposta não seria a melhor a ser dada – pelo menos não ainda.
- Na verdade não faço idéia.
- Significa Linda Jade.
- Que coisa não?
- Quer saber por que tenho esse nome?
- Deixe o homem respirar Mei – disse Lucas, ou melhor, Geraldo – ele está exausto dos treinos para o próximo campeonato. Arrume uma mesa e depois conversaremos.
Ela nos acomodou em uma mesa próxima à área das strippers, e entre uma dançarina e outra eu tentava entender o que estava escrito no cardápio escrito totalmente em chinês ou qualquer língua antiga equivalente.
- Tu tas entendendo alguma coisa que ta escrita aqui?
- Pede o nome mais difícil, pelo menos a parte de bebida ta em português.
- Acho que vou pedir esse Tatsumakisenpuukyaku, pelo nome deve ser bom.
- Vou pedir dois desse pra mim então, e experimentar esse saquê com wasabi.
- Pensei que a gente tinha vindo mais pra beber do que pra comer.
- Meu metabolismo é rápido.
O prato acabou se mostrando um mero arroz com ovo de nome difícil, e entre uma dançarina que abria escala e outra que levou uma queda pra fora do palco as garrafas de saquê não duravam muito na mesa, depois de aprender a cantar parabéns em chinês e ensinar funk dizendo que era macarena só conseguia lembrar de alguns flashs.
A próxima coisa que lembro é de acordar em um quarto que mais parecia cenário de despacho de macumba chinesa, a única coisa que eu conseguia distinguir era um familiar cheiro de peixe e inseticida e sentir que minha boca estava tão seca que parecia que havia passado a noite comendo farinha ao invés de bebendo.
Quando consigo acender a luz mais próxima dou de cara com a dona do bar deitada nua ao meu lado, na pressa de sair sem ser visto acabo derrubando um copo no chão, no qual havia uma espécie de dentadura feita com pedras preciosas. Só então me dou conta da origem do nome. Malditos aniversários.
19
2011
Na cara não…
Pois bem meu povo, aqui estou eu de volta. Após quase um mês de ausência, o plano inicial era passar apenas uma semana sem publicar aqui no blog pois eu havia feito uma viagem sabática para escrever. O que acabou resultando apenas em uma infecção intestinal (mas o livro ia ser uma merda de qualquer jeito mesmo).
Na volta da minha viagem descobri que mataram o Obama matou o Osama e fez dele ração de tubarão, um conto da Disney virou realidade e outras coisitas mais que não cabe a mim discutir aqui. Mas nem só de coisa boa vive o mundo, na volta da viagem meu notebook decidiu ir para o espaço junto com a cadela Layla e com ele todos os meus textos inéditos.
Mas calma lá, eu ainda teria o pc de mesa para continuar escrevendo, certo? Estaria certo se ele também não tivesse quebrado e isso tudo vinha acontecendo antes da maldita sexta feira 13. Mas uma hora as coisas tinham que mudar, ainda bem que estavam mais perto do que longe.
Fui chamado para ser entrevistado em uma agência na qual já queria trabalhar a um bom tempo e dois dias depois fui chamado já para começar a trabalhar. E agora estou pronto a dar continuação ao blog.
Bom, esse post aqui não é a minha Biografia proibida, o que eu quero dizer em resumo é: Voltei cambada!


Escrito por Zé Moreira









